Leia sempre, a leitura transforma.

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quarta-feira, 3 de maio de 2017

Catadora vai à formatura carregando as latinhas que pagaram sua faculdade

Razões para Acreditar

A paraibana Luciene Gonçalves, 35 anos, conseguiu pagar os quatro anos do curso de serviço social em uma faculdade particular de Souza, no sertão da Paraíba, com o dinheiro arrecadado da venda de latinhas de alumínio.

A conquista serve de inspiração para as filhas que estão concluindo o ensino médio. O segredo para a vitória foi não perder tempo reclamando dos problemas da vida. “E eu sempre digo ao meu marido que não reclame, pois quem reclama não sai da lama”, disse a sucateira ao G1.

Ela entrou na faculdade junto com o marido, Pedro Filemon, 35 anos, também sucateiro e que escolheu estudar administração, após Luciene insistir para que ele participasse da seleção.

“Eu tinha que ser alguém na vida, não ser só sucateira, mas ter um curso superior pra dar exemplo para as minhas filhas. Tem gente que trabalha em escritório e diz que não tem tempo para estudar. Eu trabalho dentro da sujeira e pra mim não faltou garra para terminar meus estudos. Tem gente que reclama de barriga cheia”, afirma Luciene.

Luciene largou os estudos para trabalhar e ajudar a família. Dez anos depois de concluir o ensino médio, ela voltou para a sala de aula. “Serviço Social foi feito pra mim. Eu gosto muito de ajudar as pessoas. E depois que entrei no curso e fiz estágios, tive a certeza de que aquilo foi feito para mim”, diz.

Quando estava prestes a terminar o curso, o pai de Luciene ficou doente e ela era única pessoa que poderia acompanhá-lo na hemodiálise 3 vezes por semana.

“Às vezes chegava na sala de aula chorando, mas também amigas que foram como irmãs, que me apoiaram. Essa foi a época mais difícil, pois ocorreu quando eu já estava fazendo meu trabalho de conclusão de curso”, lembra Luciene.

No baile de formatura, ela decidiu homenagear o marido, que abriu mão de participar da comemoração. Luciene entrou no baile carregando latinhas e as imagens da festa emocionaram os internautas. “Eu quis homenagear e confesso que estou um pouco surpresa com a repercussão que está tendo”, conta.

Confira a entrada triunfal de Luciene no baile de formatura: https://www.youtube.com/watch?v=sy0iKHdycMs


Fonte: Blog do Galeno 

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Jovem escreve redação sobre o ‘mundo em que gostaria de crescer’ e ganha concurso

Camila Boehm - Huffpost Brasil - 16/03/2017



Morador da cidade de Presidente Médici, no interior de Rondônia, distante 400 quilômetros da capital Porto Velho, Leonardo Silva Brito, de 17 anos, estudou a vida toda na escola estadual Carlos Drummond de Andrade, onde conheceu o Concurso Internacional de Redação de Cartas, do qual foi vencedor da etapa nacional em 2015 e ficou no terceiro lugar geral da competição.

“O concurso me moveu, me direcionou e me levou a conhecer coisas que eu não conseguiria ter contato fora de sala de aula. Foi muito bom pra mim, para a minha escola, para os alunos, ter contato com esse tipo de material relacionado tanto à história, política e geografia”, contou o rapaz à Agência Brasil. Na época em que participou, os estudantes deveriam tratar na redação sobre o mundo em que gostariam de crescer.

A 46ª edição do concurso feito no Brasil pelos Correios e coordenado em todo o mundo pela União Postal Universal, está com inscrições abertas até (17/3).

Escolas da rede pública e privada podem participar com, no máximo, duas redações por instituição, que devem ser escritas à mão e produzidas por alunos de até 15 anos.

O tema deste ano é “imagine que você é assessor do secretário-geral da ONU – qual o problema mundial que você o ajudaria a resolver em primeiro lugar e de que forma você o aconselharia para isso?”

No ano em que foi vencedor, Leonardo estava no segundo ano do ensino médio. No entanto, desde o sexto ano do ensino fundamental, ele participava da competição.

“Algumas [vezes] eu fui classificado, outras não. Eu sempre participava porque eu gostava muito dos temas que eram propostos pelo concurso. Eu esperava realmente desenvolver esse meu interesse por leitura e por escrita principalmente.”

“Eu falei na redação justamente que o mundo que eu gostaria de crescer não é um mundo só meu, porque ele já foi imaginado por muitas pessoas antes de mim e vai continuar sendo desenvolvido depois que eu me for. Eu citei bastantes pensadores que contribuíram para a formação de um mundo melhor. E eu acredito que é assim que será construído um mundo coletivo, onde cada um contribui com o que pode e da forma que pode”

Citando figuras como Malala, Chico Mendes e Madre Teresa de Calcutá, o jovem apresentou seu mundo ideal.



“Esse mundo onde eu gostaria de crescer é a interseção de todos esses sonhos dessas pessoas que acreditavam em um mundo melhor e fizeram acontecer. Eu coloquei [na redação] que seria um mundo coletivo onde cada um doasse parte do seu tempo para a construção realmente dessa utopia”.

Para Leonardo, ter coragem para botar em prática os sonhos e ajudar na construção desse mundo pode “transformar os próximos dias, anos, séculos aqui na Terra para as próximas gerações”.


Coletivo
O jovem lembra a todo momento, em entrevista à Agência Brasil, que sua participação no concurso foi resultado de uma ação coletiva.

“Quando foi lançada essa proposta [do concurso] para o nosso diretor, eles [coordenadores e professores] acolheram e levaram os alunos a fazerem oficinas de produção textual, então foi um trabalho em conjunto, na verdade”.

Ele acrescentou que foi muito bom todos os alunos terem contato com o tema do concurso, relacionado tanto à história, política e geografia.

O jovem contou sobre o reconhecimento que teve dos pais, que o acompanharam durante a premiação em Brasília.

“Eles ficaram primeiramente muito felizes porque é uma conquista muito grande. Se você pensar que eu estudo em escola pública estadual desde sempre, você representar o Brasil numa competição de cunho internacional é uma coisa muito bacana para qualquer um, e mais ainda para uma pessoa que sai de uma cidade tão pequena do interior do estado de Rondônia, de uma escola pública. Foi muito engrandecedor”

Nos concursos seguintes, o rapaz destacou que o interesse dos alunos de sua escola cresceu. Seu irmão, de 13 anos, também começou a participar após sua vitória na competição.

“Meus pais ficaram muito felizes em saber que eu dei, de certa forma, esperança para algumas pessoas que também gostariam de participar e que tem o sonho de um dia representar o Brasil em um concurso internacional”.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

‘Não há mais leitores porque escola pública não forma bons leitores’, diz autor de Dois Irmãos

Daniela Ayres - G1 -11/04/2017
Milton Hatoum é patrono da edição 2017 do Festival Literário de Poços de Caldas, MG,
que começa em 29 abril
A menos de três semanas do início do Festival Literário de Poços de Caldas (MG), o premiado escritor amazonense Milton Hatoum está animado em retornar ao Sul de Minas. Há cerca de 10 anos, o autor do romance “Dois Irmãos” participou pela primeira vez da Flipoços. Patrono da 12ª edição do evento, que começa no dia 29 de abril, Hatoum aguarda a oportunidade de falar sobre o que mais gosta de fazer, literatura, e demonstra preocupação com a qualidade do ensino público no Brasil. “Não há mais leitores porque a escola pública não forma bons leitores”, observa em entrevista ao G1.

Aos 64 anos de idade, o escritor amazonense é considerado um dos mais importantes nomes da literatura contemporânea, com obras premiadas no Brasil e no exterior. A história dos encontros e desencontros dos gêmeos Omar e Yaqub, contada em “Dois Irmãos”, seu segundo romance, lançado em 2000, é leitura obrigatória em muitos vestibulares pelo país. Além de escritor, Hatoum tem formação em arquitetura, é tradutor e professor.

“Eu me formei no ensino público. Não posso reclamar, que os ‘Dois Irmãos’ e o ‘Cinzas do Norte’, principalmente, são muito lidos por causa dos professores. Mas não há mais leitores porque a escola pública não forma bons leitores. A escola é precária. A culpa não é dos professores, é do sistema e, sobretudo, dos políticos. Um país que não investe em educação não tem futuro mesmo. Não adianta.”

Hatoum manifestou sua preocupação com a qualidade do ensino público do Brasil durante entrevista aos G1 Sul de Minas, como parte de uma série de reportagens sobre a edição 2017 da Flipoços. Confira a seguir os principais trechos desse bate-papo.

G1: Como surgiu o convite para ser patrono da Flipoços e que o senhor planeja para a sua palestra, no domingo, 30 de abril?

Milton Hatoum: Eu fui a Poços há uns oito anos. Gostei muito da feira e fui convidado pela Gisele Ferreira [idealizadora do festival] a voltar, agora como patrono. Eu aceitei porque gosto de Minas, gosto de Poços, tenho ótimos leitores em Minas. Para mim, é uma honra ser o patrono da feira. Eu vou falar sobre o meu trabalho, sobre literatura. Vão exibir um filme baseado no meu romance ‘Órfãos do Eldorado’ [dirigido por Guilherme Coelho]. O filme vai ser exibido às 10h. O Amazonas vai ser homenageado, então eles vão exibir esse filme, que se passa no Amazonas e tem algumas locações no Pará. Eu tô animado para ir. Esse caminho para Poços lembra um pouco minha infância. Eu vinha às vezes passar as férias em São Paulo com minha mãe e ela gostava do circuito de águas.

G1: Por falar em “Órfãos do Eldorado”, seus livros ganharam nos últimos anos versões bastante aclamadas. Teve o filme em 2013 e, em 2016, seu segundo romance, “Dois Irmãos”, virou história em quadrinhos, com direito ao Prêmio Eisner, o “Oscar” da categoria. No início deste ano, o mesmo livro deu origem à minissérie de tv homônima exibida pela Rede Globo.

Hatoum: Primeiro lugar, eu tive sorte porque os cineastas e os quadrinistas são artistas muito talentosos, têm uma sensibilidade artística muito apurada. No caso dos quadrinistas, o trabalho é, de fato, muito bonito. Eu acho que 80% do livro está nos quadrinhos. Eles foram a Manaus, pesquisaram, há momentos de silêncios no trabalho deles. É um livro que já tem quatro reimpressões. Eu nem sabia que havia um público tão grande de quadrinhos. Eu não li o livro [se referindo a ‘Dois Irmãos’]. Então, para mim foi uma surpresa.

G1: O senhor não leu seu próprio livro?

Hatoum: Eu não leio o livro. Nunca. Eu não aguento. Vou querer mudar, vou ficar fazer várias alterações.

G1: Como é para o senhor o processo de criação de um livro?

Hatoum: Eu preciso encontrar a forma do livro na minha cabeça, a estrutura do que eu quero escrever. A estrutura é a forma. O que eu vou narrar, quem que vai narrar. Então, eu começo a escrever mesmo. Faço esquema, esboço. Eu escrevo a mão, depois passo para o computador, depois eu imprimo e vou corrigindo. Isso que dá muito trabalho. Escrever é um grande prazer. O que dá muito trabalho é a revisão. É mais cansativo, vamos dizer assim. Agora escrever é um prazer, eu não sofro não. Alguns escritores dizem que sofrem, né? Se eu sofresse, eu iria sofrer 8h por dia.

G1: E o que o estimulou a se tornar um escritor?

Hatoum: Foi a leitura. A leitura de romances em Manaus [cidade onde nasceu], ainda no ginásio. Eu tinha um avô, que era um libanês. Um ótimo contador de histórias, muito imaginativo. A voz dele atraía. E essas histórias também ficaram na minha cabeça. Eu tive bons professores e eu gostava mesmo de escrever poesia. Eu queria ser poeta na verdade. Eu estudei arquitetura, não deu muito certo. Depois eu achei a poesia muito difícil. Um bom poeta é dificílimo. Aí eu comecei a escrever contos. Foi a partir de um conto que escrevi meu primeiro romance, ‘Relatos de um certo oriente’.

G1: Esse ambiente em que o senhor cresceu acabou se tornando uma presença constante em seus romances.

Hatoum: Foi muito rico pra mim ter convivido com estrangeiros na própria casa. Meu pai falava português e a minha mãe era brasileira, mas falava português com a gente e árabe com os pais. Minha avó materna falava francês comigo porque ela era uma libanesa cristã, e, portanto, um pouco metida, foi educada em um liceu francês e queria que eu estudasse francês a todo custo, o que acabou acontecendo. E tem o lado que é o mais bruto da sociedade brasileira: as empregadas da minha casa e da vizinhança. Algumas eram índias, algumas nem falavam português corretamente e eram bastante humilhadas também. Eram moças que tinham sido educadas pelos missionários, depois se tornavam empregadas com a vida muito dura na cidade de Manaus. Isso me incomodou muito. E daí surgiu a Domingas de ‘Dois Irmãos’, de mulheres que trabalhavam não só na minha casa, mas em todas as casas de classe média de Manaus. Eu percebi uma estranheza na língua das mulheres, na língua dos meus avós, a música árabe, a comida árabe, a comida inglesa, que a minha mãe misturava com a comida amazonense. Era um pequeno Líbano amazonense caboclo em Manaus. Isso certamente foi forte para mim. A infância e a juventude são decisivas para quem quer escrever porque a literatura evoca o passado e reinventa também o passado.

G1: Suas histórias transitam por diversos meios de comunicação. O que o senhor acha da internet? De que forma o senhor acha que ela afeta a literatura?

Hatoum: A internet está acabando com as livrarias, não com a literatura. O comércio eletrônico prejudica as livrarias, sobretudo os pequenos livreiros. Minha questão é outra. Não é internet e literatura. É escola pública e literatura. É a formação da criança e do jovem brasileiro. Essa é a grande desfaçatez dos nossos dias. É a falta de vontade política para melhorar a qualidade de ensino público. Eu me formei no ensino público. Não posso reclamar, que os ‘Dois Irmãos’ e o ‘Cinzas do Norte’, principalmente, são muito lidos por causa dos professores. Mas não há mais leitores porque a escola pública não forma bons leitores. A escola é precária. A culpa não é dos professores, é do sistema e, sobretudo, dos políticos. No país dos ‘Crivellas’, ‘Malafaias’, ‘Felicianos’ e dos ‘Bolsonaros’, é impossível, é muito difícil melhorar a escola. Há prefeitos, políticos se esforçando, os professores também. Todos os meus livros são conhecidos graças aos professores e a muitos estudantes de pós-graduação. Um país que não investe em educação não tem futuro mesmo. Não adianta. Os festivais têm um alcance limitado. Não revertem a qualidade da educação. Só uma política faz isso. Os festivais são um estímulo, atraem públicos e, às vezes, alcançam os professores da região. Acho importante envolver professores no festival.

G1: Atualmente, o senhor está trabalhando em algum livro?

Hatoum: Eu escrevo um livro há quatro anos. O título provisório é ‘O lugar mais sombrio’. Não é um romance político, mas de jovens secundaristas e universitários que cresceram na época da ditadura militar e, mesmo não sendo um romance político- ao contrário, é um romance que tem uma história de humor-, é impossível não falar de política, no meu ponto de vista, de quem vivenciou aquele momento. São dois volumes. Eu terminei o que viria ser a sequência desse livro. Eu fiz o segundo volume primeiro.


Fonte: G1

quarta-feira, 26 de abril de 2017

‘É hora de uma revolta coletiva pela educação no Brasil’, diz educador António Nóvoa

Cristine Gerk - Extra - 02/04/2017
António Nóvoa
“Quem não sai do lugar não se educa”. Inspirado nesse lema, António Nóvoa, reitor honorário da Universidade de Lisboa, viajou o mundo ensinando e aprendendo sobre a missão das escolas. Em visita ao Brasil para o lançamento do Prêmio Itaú-Unicef, Nóvoa, que é doutor em Ciências da Educação pela Universidade de Genebra (Suíça) e em História pela Sorbonne (França), criticou a proposta de escolas sem partido, defendeu a discussão sobre gênero e sexualidade nas aulas e convidou a população a se engajar em uma revolta coletiva pela educação pública no Brasil. Na entrevista a seguir, o professor convidado em Colúmbia (EUA), Oxford (Inglaterra) e Paris 5 defende ainda a maior interação entre professores de diferentes escolas e uma reforma na relação com os alunos, com ajuda da tecnologia. A convite do reitor da UFRJ, ele está ajudando a montar um complexo de formação de professores no Fundão que vai agrupar todas as licenciaturas em parceria com escolas da rede pública.

Como fortalecer o papel social da educação em um contexto violento, como o do Rio?
A escola depende mais do ambiente em que está inserida do que é capaz de transformá-lo. Quando uma nação é boa, sua escola é boa. Quando a nação é má, a escola não vai transformá-la em boa. Não ponham expectativa exagerada. Achar que a escola vai transformar o mundo é meio caminho andado para que ela não faça nada. Agora, ela tem um poder extraordinário, que é a capacidade de educar as crianças. Se conseguirmos espaços onde haja cultura do diálogo, da tolerância, da capacidade de conviver, podemos ganhar ali uma geração que depois pode transformar grande parte da sociedade. Já dizia o pedagogo francês Philippe Meirieu: “A escola ou a guerra civil”.

A escola integral tem mais potência neste sentido?
Sou por princípio contra a ideia filosófica da escola integral. Integral é a vida. A ideia de manter essas crianças na escola, quanto mais horas melhor, não me é simpática. Quero que a educação esteja na sociedade, nas famílias. Defendo a ideia do espaço público da educação, que a cidade seja educadora e a criança tenha outros espaços culturais, sociais. Mas tenho que reconhecer que há realidades sociais tão violentas, como a do Rio, onde é preciso ter escola integral. Quero proteger as crianças, mantê-las o máximo de tempo possível ali. É como as cotas: horríveis, mas necessárias.

Como manter as crianças concentradas e interessadas no mundo de dispersão e informação abundante da internet?
Não faz sentido imaginar uma escola fora da sociedade. É tão absurdo quanto no século 16, quando se tentou impedir a entrada de livros porque os alunos tinham que memorizar. No século 20, baniram os filmes, porque iam acabar com a moral. Hoje a forma de pensar, de se relacionar, é diferente. Se não percebermos isso, não há educação. É claro que não quero celular em sala para a criança fazer outras atividades, mas tenho que ser capaz de integrá-lo no trabalho pedagógico. A escola não é onde se vai assistir a aulas, mas onde todos vão, em conjunto, descobrir como trabalhar. O professor deve recorrer ao apoio dos alunos para se organizar nas dimensões digitais. Para isso precisamos de uma formação que não seja só interessada em ver o “negócio”, em decidir sobre quantas disciplinas, aulas, teoria curricular. Um bom modelo é o da Escola de Medicina da Universidade de Harvard. Acabaram com as aulas expositivas, não precisa, está tudo na internet. Organizam-se em torno de grandes problemas, relacionam-se com os hospitais, com médicos mais antigos, e aprendem nessa lógica de teoria, prática, reflexão, trabalho em conjunto. Há menos acúmulo de conhecimentos enciclopédicos e mais capacidade de pensar em determinada disciplina.

No Brasil, há uma discussão sobre a escola sem partido. O que acha da iniciativa?
Em certos meios sociais, tipicamente classes médias ou altas, e com fortes componentes religiosos, há essa ideia de proteger as crianças das misérias do mundo, da violência, da sexualidade, das drogas. Essas ideias de fechamento em determinada cultura são o contrário do que eu quero na educação. Quem não sai do seu lugar cultural, territorial, religioso não se educa. Prefiro que as minhas crianças, que têm acesso a todas as informações, discutam isso com seus educadores, a serem deixadas soltas, sem capacidade de refletir. A educação é discutir sobre essas matérias. Não é ser doutrinário. Educar é tomar partido, sempre, e respeitar a diferença e a opinião do outro. É uma grande hipocrisia não se preocupar com as crianças que convivem com violência. A maneira de proteger as crianças é conversar com elas. Os professores têm direto às suas ideias, como os alunos, pais, isso é democracia. Escola é diversidade, liberdade, diálogo.

Como você vê os métodos atuais de avaliação das escolas?
Esses indicadores são pobres, mas são úteis, precisam ser usados para melhorias, não para fazer ranking e punir. Mas não posso deixar de me indignar ao ver os alunos brasileiros na situação em que estão. Tem que haver uma revolta coletiva, de todos os partidos, de uma geração que diga “não aceitamos mais que a escola pública brasileira continue assim”. A pessoa acha a escola pública ruim e leva o filho para a particular. Isto não basta. Os pais não se interessam, as crianças são pobres, há fome, tudo é verdade, mas são elementos para compreendermos e agirmos melhor, não para justificarmos. Precisamos das coisas básicas: que as escolas abram todo dia, que os prédios estejam bem cuidados, que os professores tenham salários dignos. Não vale a pena muita teoria sem o básico, que inclui leitura, escrita, interpretação do mundo, diálogo.

Qual o papel do professor na vida dos estudantes e como a formação deve direcioná-lo?
Estou construindo um complexo de formação de professores na UFRJ, a convite do reitor. A ideia é fazer o que se faz num hospital universitário. Naquele complexo se integrarão todas as licenciaturas, ligadas às escolas públicas, para que haja diálogo constante entre elas. Vamos falar com o município. Isso existe em poucos lugares do mundo, a UFRJ será referência. Há um espaço sendo construído no Fundão. Os professores precisam trabalhar em conjunto, conhecer o que se faz em outras escolas.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Projeto promove troca gratuita de livros em Fortaleza

G1 - 14/04/2017


Se você tem livros que queira se desfazer pode deixá-los em um dos oito Ninhos de Livros instalados em Fortaleza. A iniciativa é da Satrápia, agência carioca de benfeitorias que cria ações de inovações para as cidades. Em Fortaleza, foram espalhadas as “bibliotecas colaborativas” em formato de casas de passarinho em diversos pontos da cidade.

De acordo com a agência, o objetivo da ação é democratizar o acesso à leitura e disseminar a cultura de troca. O projeto funciona da seguinte forma: a casinha é instalada com alguns livros e cada pessoa que pegar um livro poderá deixar outro ali dentro promovendo, assim, uma grande troca.

O projeto Ninho de Livro tem como conceito “Um espaço para que seus livros possam voltar a voar por aí” e o grande objetivo é incentivar a leitura e ocupação de espaços da cidade, além de estimular a boa convivência entre os moradores dos bairros que recebem o ninho. Em Fortaleza, os ninhos estão localizados na Praça da Imprensa, Praça do Ferreira, Praça Portugal, Parque da Criança, Centro Cultural Dragão do Mar, Rua Idelfonso Abano com Avenida Historiador Raimundo Girão, Avenida Beira Mar e Shopping Iguatemi.

Sobre o projeto

O primeiro Ninho de Livro foi instalado em fevereiro de 2015, na comunidade do Vidigal, no Rio de Janeiro. Ao todo já são mais de 20 ninhos espalhados pela cidade. Em julho do mesmo ano, a Satrápia levou o projeto para Fortaleza e agora retorna à cidade. Em outubro de 2016, 20 ninhos foram instalados em São Paulo e o objetivo é que alcance o país inteiro com o apoio da sociedade, poder público e da iniciativa privada.


sexta-feira, 21 de abril de 2017

Skoob lança ferramenta para que editores conheçam a fundo seus leitores

PublishNews - 19/04/2017

Nos últimos anos, o Skoob amealhou quatro milhões de usuários ativos. São pessoas que usam a plataforma para organizar o que já leu e o que está lendo; por meio de notas e de resenhas, avaliam os livros que estão lendo; apontam os livros que abandonaram antes do fim da leitura e conseguem criar uma rede pela qual vê o que os amigos e influenciadores estão lendo. Com tudo isso, a plataforma se consolidou em uma ferramenta poderosa na descoberta de novos títulos.

Vendo esse potencial, editoras começaram a criar páginas dentro da rede social através das quais as casas promovem ações de lançamento e para elevar o engajamento de seus leitores. A partir de agora esses parceiros poderão acompanhar o retorno de suas ações e campanhas de marketing. É que o Skoob acaba de integrar à plataforma a funcionalidade de analytics, que permite mensurar os resultados dessas campanhas.

“Essa nova funcionalidade vai permitir que as editoras tenham acesso a estatísticas sobre preferências, hábitos e interesses dos mais de 4 milhões de leitores da plataforma. É a primeira ferramenta de marketing que mapeia hábitos e comportamentos de usuários que realmente consomem livros”, ressalta Viviane Lordello, cofundadora do Skoob.

A nova ferramenta permite aos editores acompanhar quantas vezes seus livros foram adicionados às estantes dos usuários durante a semana; conhecer o perfil do leitor (faixa etária, região, etc); ter acesso às estatísticas de cada livro publicado, e acompanhar a variação de preço do livro nos últimos três meses. Na opinião de Viviane, essas funcionalidades podem ajudar o comercial e o marketing das editoras em futuras estratégias.

O Skoob aproveita a novidade para anunciar também uma parceria com o #coisadelivreiro que passa a representar comercialmente a empresa no atendimento às campanhas e ações de marketing do mercado editorial. Com a novidade, o Skoob engrossa o hub de mídia do #coisadelivreiro que já reúne o PublishNews, a plataforma Book4You e influenciadores digitais do mundo do livro como Melina Souza, do canal Serendipity, Raquel Moritz, do Pipoca Musical e Ju Cirqueira, do Nuvem Literária, entre outros. O hub será oficialmente lançado pelo #coisadelivreiro ao mercado nas próximas semanas.

“Sabemos da importância do Skoob dentro das opções de mídia e marketing do mercado, e como a plataforma realmente é eficaz para editoras e autores. São usuários que acessam a plataforma diariamente em busca de livros e boas histórias. Ter o Skoob como um parceiro do hub é uma honra para nós”, comenta André Palme, sócio e head of brand do #coisadelivreiro.

Quem quiser mais informações sobre as possibilidades comerciais do Skoob deve, portanto, entrar em contato com o #coisadelivreiro pelo e-mail anuncie@coisadelivreiro.com.br.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Iniciativa sincroniza cenas de novelas e minisséries com eBooks da literatura brasileira

33Giga - 17/04/2017

Globo, Amazon.com.br e Companhia das Letras acabam de lançar a iniciativa “Assista a Esse Livro”. Na prática, os clássicos da literatura brasileira serão disponibilizados em eBook e certos trechos terão links que direcionam o leitor para vídeos de séries e novelas da Globo que reproduzem a cena. Os livros digitais estão disponíveis na Loja Kindle, na Amazon.com.br. Para assistir aos vídeos, o dispositivo do usuário deve estar conectado à internet.

“Assista a Esse Livro” é uma experiência de leitura única, que une obras literárias e produções televisivas. Clicando no ícone “Play”, leitores poderão assistir às cenas correspondentes da produção para a TV enquanto estão conectados à internet. Todas os vídeos selecionados estão reunidos em uma lista ao final de cada eBook

Cada livro digital contém links de vídeos com duração de até 1 minuto. “Dois Irmãos”, por exemplo, tem 19 cenas da minissérie transmitida este ano pela Globo, com renomados atores como Cauã Reymond, Antônio Fagundes e Eliane Giardini. O livro foi escrito por Milton Hatoum e sai por R$ 19,90 na loja da Amazon.com.br.

Outros títulos que já estão disponíveis na sessão “Assista a Esse Livro” são: “Gabriela Cravo e Canela” (R$ 20,50), escrito por Jorge Amado e transformado em série por Walcyr Carrasco, “As Relações Perigosas” (R$ 16,90), de Choderlos de Laclos e adaptado por Manoela Dias, e “O Canto da Sereia” (R$ 27,90), escrito por Nelson Motta e transformado em série por George Moura e Patrícia Andrade.

Os eBooks do “Assista a Esse Livro” podem ser lidos em smartphones, tablets e computadores usando o aplicativo de leitura gratuito Kindle, disponível para Android e iOS. Para mais informações sobre a iniciativa, clique aqui.


Fonte: Blog Galeno